11 de jun de 2014

Tanquinho, Inhambupe e Piatã mantêm clima junino sem grandes festas

Redação Portal Clériston Silva PCS 


Mesa farta, fogueira acesa na porta de casa, fogos de artifício e o típico arrasta-pé. É dessa forma que nas cidades de Tanquinho, Piatã e Inhambupe, os festejos juninos são comemorados durante o mês de junho. O clima de tranquilidade é um dos principais atrativos dos visitantes e moradores que curtem o São João nessas três cidades da Bahia. Sem grandes eventos, a exemplo das festas privadas que ocorrem em outros municípios baianos, Piatã, Inhambupe e Tanquinho se destacam pela celebração da festa à moda antiga.

Tanquinho - Com apenas oito mil habitantes, a pequena cidade de Tanquinho, na região de Feira de Santana, a 100 km de Salvador, começa a comemoração com a trezena em louvor a Santo Antônio. "Na festa de Santo Antônio tem missa, quermesse, brincadeiras, tudo que a gente tem direito. É uma festa", diz a professora e moradora da cidade, Luzia Barreto. Ela conta que durante o período junino, as praças de Tanquinho ganham bandeirolas, luzes e uma decoração especial.

Na cidade, a Praça Aldo de Lima Pereira é transformada em casa de reboco e recebe sanfoneiros da região. Já na Praça Samuel Alves Pereira, bandas de forró garantem o arrasta pé gratuito. "Tem opção para todos os gostos, não tem como não se divertir e todo mundo é bem-vindo. É só chegar!", convida Luzia.

Quem também passa o São João todos os anos em Tanquinho é a funcionária pública Vanuza Mascarenhas, conhecida como "Vanuza de Gringo". "Quando chego na cidade ainda sou chamada assim. É um costume que não se perdeu no interior e que passamos entre as gerações”, revela. Ela mora em Feira de Santana há mais de 20 anos e durante esse período ela se reúne com a família e amigos.

Quem não tem familiares em Tanquinho tem poucas opções de hospedagem. Existem apenas duas pousadas na cidade e restam poucas vagas para o período. Os valores das diárias variam entre R$ 40 e R$ 100. Este ano são esperados sete mil visitantes.

Piatã - A pequena cidade de Piatã também atrai os baianos pelo ambiente familiar e festivo do São João. O município com 18 mil habitantes fica na região da Chapada Diamantina e recebe em média cinco mil visitantes por ano nesta época. Em Piatã, uma igreja cenográfica montada na praça é palco do tradicional casamento na roça. Brincadeiras de pau de sebo, rasga saco, corrida com o ovo na colher, entre outras, são realizadas durante os dias de festa na cidade.

Piatã ganha uma decoração especial em praça
"A gente vira criança. Todo mundo brinca, de menino a velhinho", afirma o estudante Paulo Igor Araújo. Neste ano, Paulo pretende levar uma turma de amigos para aproveitar o São João em Piatã. Os pais do jovem moram na cidade e, para ele, passar as festas juninas no município também é tradição. "Mesmo que meus pais não morassem lá, tenho certeza de que esse seria o meu destino no São João", afirma.

O espaço ainda oferece barraquinhas onde são vendidas comidas típicas e o artesanato local, com peças feitas em pedra, além dos bordados e pinturas. Para quem escolher Piatã como destino, é preciso levar bastante agasalho, pois a cidade serrana é a mais alta do Nordeste, com 1.180 m de altitude. Durante o mês de junho, as temperaturas chegam a menos de 4ºC. "A média da temperatura aqui nunca ultrapassa os 20ºC ao longo do ano, então, quem vier, tem que trazer casacos, luvas e tudo mais", recomenda Luciente Pina, moradora de Piatã.

Pessoas de todas as idades participam de brincadeiras em Piatã
Para suportar o frio, os visitantes podem recorrer às bebidas típicas que ajudam a esquentar o São João, como o licor artesanal e o "quentão", feito à base de cachaça, açúcar e frutas cítricas, além do café de primeira qualidade. "Em todos os quintais de Piatã tem café plantado. A gente colhe, mói, e faz em casa mesmo. Fica fresco, bem quentinho, é delicioso", diz Luciene. Entre os pontos turísticos da cidade, as belezas naturais da região da Chapada também atrai turistas para o local.

Em Piatã estão as cachoeiras do Patrício, do Cochó, do rio de contas, da Malhada da Areia, as serras do Santana, do Navio, da Tromba e os Três Morros. "É diversão o dia todo. De dia a gente passeia nas trilhas, toma banho de cachoeira. De noite, a gente faz festa", conta Luciene.

Inhambupe - Na região de Alagoinhas, o destaque nos festejos juninos é o município de Inhambupe. A cidade de 36 mil habitantes é conhecida pela lenda do lobisomem, que teria aparecido na década de 1980. Por esse motivo que a festa na região é chamada de "São João da Lua Cheia na Terra do Lobisomem".

Cidade de Inhambupe se transforma em arraial
Apesar da lenda, moradores e turistas curtem os festejos com tranquilidade. "Aqui a gente pode sair para a rua e deixar até a casa aberta, sem medo. Podemos levar as crianças, os idosos e todo mundo fica bem à vontade", assegura a bibliotecária Marcela Oliveira. "Já fui para outros lugares em anos anteriores, mas agora não troco Inhambupe por nada. A gente brinca com os parentes, amigos, sem tumulto", completa.

Durante o São João, a cidade realiza um concurso de sanfoneiros que atrai músicos de todo o estado. Eles se apresentam no arraial montado na Praça Padre Anchieta, onde também é realizado o show dos grupos de pífanos da região e das quadrilhas, com mais de 30 anos de história. A praça também ganha casa de reboco e de farinha.

Do outro lado da praça é montada uma arena de shows, onde são esperadas mais de 40 mil pessoas durante os quatro dias de festa, de 21 a 24 de junho. Mantendo a tradição, todas as atrações contratadas para tocar na cidade são da região. "No quesito alegria, a gente não fica devendo a nenhum outro lugar. Para nós, o que mais importa no São João é resgatar a nossa cultura nordestina, passá-la para as próximas gerações. Aqui é terra de São João de tradição, de raiz", conclui o comerciante Rafael Portela.

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