2 de ago de 2010

Política em Serrinha: propostas estranhas incluem promessa de honestidade

Lula nasceu no interior do Ceará e, quando completou 4 anos de idade, a mãe decidiu vender o pouco que tinha na roça e aventurou-se com os seis filhos pela estrada para encontrar o pai, que trabalhava em supermercado na cidade grande. O garoto Luís estudou em curso técnico, formou-se, filiou-se ao PT, tornou-se líder político e hoje ocupa um cargo de poder.

Qualquer semelhança com a história de Luiz Inácio da Silva, o presidente do País, não passa de mera coincidência, porque o Lula em questão é João Batista, proprietário de uma sorveteria, que quer entrar no Poder Legislativo Federal. Ele é um dos 947 candidatos que concorrem a uma das 63 vagas para a Assembléia Legislativa ou 39 cadeiras na Câmara de Deputados.

João Batista Oliveira Souza, 46 anos, aprendeu com Zé Baixinho, a fazer picolé, aqui em Serrinha, em 1984. Depois de vender muito picolé na rua, decidiu que estava na hora de ampliar o negócio. Juntou dinheiro e começou estudar o fabrico do sorvete de massa com frutas de época e abriu a Sorveteria do Batista, na Praça Luiz Nogueira, a principal da cidade.

Por aqui, todos o conhecem como Batista da Sorveteria, nome que manteve para disputar a eleição.

“Gosto de trabalhar ajudando as pessoas, por isso entrei na política. Falta tudo em Serrinha. Os políticos aqui só pensam em enricar. Mas, se eleito, prometo ser honesto, nem que seja para o mundo acabar”, afirma.

Degustando um picolé de cajá de marca nacional, depois de bater a língua duas vezes no céu da boca, ele dá a sentença: “Meu picolé é melhor do que esse e mais barato. Vendo por R$ 0,40 e esse aqui compro por R$ 1,35. Picolé bom e barato é com Batista da Sorveteria”.

Nem só de alegoria vivem os ilustres desconhecidos candidatos. Há os que, em situações adversas – pobres, sem profissão definida, acreditam que entrar para a vida pública é a melhor forma de resolver os problemas que lhe são mais urgentes. É o caso de Nem Grande, pseudônimo curioso. “Tinha um monte de ‘Nens’ na minha rua. Tinha o Nem Pequeno, o Nem Mole e eu, com 1,85 de altura, fiquei sendo o “Nem Grande”, conta Ademilton Melo Barbosa, 34 anos, candidato a deputado estadual, em Feira de Santana, cidade que fica a 80 km de Serrinha.

Nem Grande é um “trabalhador de pinturas em geral” e tem origem familiar pobre.

Mãe dona-de-casa e pai cabeleireiro, na família de quatro filhos, cada um teve de se virar para ganhar seu trocado.

O que motiva Nem a ser candidato é “dar um basta nos políticos mentirosos”.

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