22 de ago de 2010

Disputa financeira divide a Igreja Assembléia de Deus

Uma polêmica com a matriz de Salvador divide a Assembléia de Deus. No centro da querela, a arrecadação mensal de R$ 800 mil, oriundos dos 400 templos da instituição em Salvador. No enredo desta história, cheques sustados e acordos descumpridos. Ações judiciais denunciam má gestão de recursos e desligamento voluntário de pastores da Convenção Estadual das Assembléias de Deus na Bahia (Ceadeb) são ingredientes de uma disputa que aumentou de proporção no último mês.

Segundo o Censo 2000, em Salvador, estão reunidos 68.821 dos 421.049 membros da igreja na Bahia. Na capital, 12 igrejas, distribuídas por vários bairros estão vinculadas à Assembléia de Deus em Salvador (Adesal), que funciona como matriz. A Ceadeb apura denúncias de irregularidades cometidas pela diretoria da Adesal, dentre as quais a de não repassar a taxa referente ao fundo convencional, que é 5% do total arrecadado pela igreja.

O fundo é usado para amparar pastores que já encerram as atividades por idade, problemas de saúde ou os seus familiares em caso de morte. De acordo com dados da Ceadeb, que administra o fundo, a dívida da Adesal gira em torno de R$ 1,8 milhão. “A base do desentendimento não é a questão financeira. Uma das nossas funções como órgão regulador é apurar denúncias sobre questões administrativas. Além disso, não temos problema com a igreja de Salvador, que são os seus membros, mas estamos intervindo na direção”, explica o pastor Arilson Pereira dos Santos, 36 anos, que ocupa o cargo de gestor na direção da Ceadeb.

Segundo Santos, a Ceadeb recebeu denúncias de má gestão de recursos da igreja de Salvador, como a existência de processos por débitos com o INSS que chegou a motivar uma ação por apropriação indébita contra o pastor Israel Ferreira, que preside a Adesal há 13 anos.
“Chegamos a propor vários acordos. Embora os responsáveis pela Adesal tenham assinado o acordo, ele acabou por não ser cumprido”, disse Santos. O acordo a que o gestor da Ceadeb se refere foi assinado em dezembro do ano passado pela Adesal e a Ceadeb inclusive com o compromisso de retirada das ações judiciais movidas por ambas às partes.

Uma das providências da Ceadeb para resolver o problema, segundo Santos, foi transferir Ferreira para Feira de Santana. Para o seu lugar foi nomeado o pastor Eliúde de Amaral Soares.

Ferreira e mais 81 dos 149 pastores da Assembléia de Deus na capital baiana pediram o desligamento da convenção. A Ceadeb, por seu lado, conseguiu uma liminar da Justiça, expedida no último dia 5, tornando nula a mudança no estatuto da Adesal e a sua vinculação à convenção de outro Estado.

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