18 de dez de 2012

Monte Santo: depois de 18 meses longe, crianças retornam nesta quarta (19)

Redação Portal Clériston Silva PCS 

Previsto para amanhã, o retorno dos cinco filhos da agricultora Silvânia Mota da Silva, adotados de forma irregular por famílias paulistas, tem mobilizado a população de Monte Santo, a 352 quilômetros de Salvador. O horário de chegada não foi divulgado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH).

Há duas semanas, representantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-BA) têm visitado regularmente a cidade. De acordo com a advogada do Cedeca, Isabela Pinto, que ontem estava na cidade, o trabalho é verificar a estrutura para receber as crianças e preparar a população para acolher as crianças, depois de 18 meses.

“Sabemos que as famílias paulistas têm provocado as pessoas na cidade para que criem quase uma perseguição a essas crianças. Estamos aqui para esclarecer que todo esse problema é culpa do Estado e que essas crianças foram vítimas de tráfico de pessoas”, explica Isabela.

Entrevistas em rádios da cidade e a exibição, seguida de debate, do documentário Ser-Tão Inocente: As Crianças de Monte Santo na Câmara de Vereadores da cidade estão entre os preparativos para a chegada da família.

“O que queremos é que essas crianças sejam acolhidas pela comunidade e não precisem passar por outros traumas”, afirma Isabela. Segundo Maurício Freire, advogado da família, a expectativa é que não haja nenhum ato público pelo retorno.

“A família quer total privacidade e um reencontro discreto, sem banda, sem nada”, afirma. Na cidade, há uma divisão entre apoiadores do retorno e pessoas que vêm com desconfiança a volta das crianças ao lar. Moradores também estão fazendo doações para ajudar a família na reforma da casa.

A iniciativa já arrecadou quase R$ 900. Segundo o deputado estadual Yulo Oiticica (PT), membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa que faz parte da comitiva da SDH, o retorno das crianças deve ser acompanhado pela Polícia Federal.

“É preciso que o Estado agora intervenha com ações e que também seja minimizado o preconceito. Ser pobre não é crime”.

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