23 de ago de 2014

Corpo de jovem que desapareceu após abordagem policial será enterrado em Serra Preta

Redação Portal Cleriston Silva PCS

Geovanne desapareceu após abordagem da PM
Dois ônibus deixarão Salvador, no início da manhã de domingo, levando amigos e parentes de Geovane Mascarenhas de Santana, 22, para Serra Preta, na região Centro-Norte. É lá que, 22 dias após o desaparecimento do jovem, a família vai sepultar seu corpo, encontrado esquartejado e carbonizado. Serra Preta, a 90 km de Serrinha, é a cidade natal da família do rapaz, visto vivo pela última vez durante uma abordagem policial da Rondesp no bairro da Calçada, em Salvador.

Depois de ter ido por nove vezes, no último mês, ao Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues, em busca do corpo do filho, o comerciante Jurandy Silva de Santana programa retornar lá no domingo às 6h — desta vez para retirar o corpo de Geovane previsto para ser sepultado assim que a família chegue à cidade.

Os custos com o enterro serão pagos pela família. “Ofereceram ajuda quando a gente teve na Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, mas a gente já tinha se organizado e não precisou”, contou Jurandy.

Hoje faz uma semana que os três suspeitos de participação no caso — o subtenente Cláudio Bonfim Borges, comandante da guarnição, e os soldados Jailson Gomes de Oliveira e Jesimiel da Silva Resende — estão presos, depois que a juíza Ângela Bacelar, do 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal Júri, decretou a prisão por 30 dias.

Geovane desapareceu no último dia 2, após a abordagem policial. Um vídeo de uma câmera de segurança, que o próprio pai do rapaz conseguiu, mostra a vítima de moto sendo abordada e colocada no porta-malas da viatura da Rondesp, por volta de 17h. Depois de Jurandy denunciar o fato, partes do corpo foram encontradas em locais diferentes — as mãos e a cabeça em Campinas de Pirajá, o tronco e os membros em São Bartolomeu.

O Departamento de Polícia Técnica aguarda resultados de exames para confirmar se Geovane, que não tinha perfurações causadas por arma de fogo, foi queimado ou esquartejado antes de morrer. Para o coordenador do Observatório de Segurança Pública da Bahia, Carlos da Costa Gomes, a morte de Geovane foi um crime de estado e o fato de os policiais terem desligado o GPS da viatura já seria motivo para a expulsão dos acusados. “(Foi) a força pública do estado que cometeu o crime”, disse em entrevista à rádio CBN.

DPT diz que tatuagens de Geovane foram removidas
Entenda o caso - Geovane Mascarenhas de Santana, de 22 anos, que tinha desaparecido após abordagem de policiais militares no dia 2 de agosto, foi decapitado, carbonizado, teve duas tatuagens removidas do corpo e os órgãos genitais retirados. A informação foi divulgada na manhã desta quarta-feira (20), durante coletiva de imprensa realizada pelo Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT-BA).

Na terça-feira (19), o DPT confirmou que exames de DNA constataram que uma mão identificada por papiloscopia como sendo de Geovane é compatível com o corpo e a cabeça que foram encaminhados para o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Os restos mortais foram encontrados no subúrbio de Salvador, no dia 3 de agosto. "Temos 100% de certeza que o corpo é de Geovane. Nós não temos qualquer dúvida sobre isso", afirmou o diretor geral do DPT, Jeferson Silva.

Os três policiais que abordaram Geovane foram identificados e presos. Ele foram levados para o Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador. O grupo alega que p rapaz foi abordado por ter características semelhantes às de um assaltante, mas que, após a mulher não reconhecê-lo como ladrão, ele teria sido liberado.

De acordo com o DPT, o corpo do rapaz passou por uma série de exames realizados em sete coordenadorias: Tanatologia, Antropologia Forense, Anatomia Patológica, Coordenação de DNA, Coordenação de Necropapiloscopia, Toxicologia e Radiologia. Diante da constação científica, o departamento informou que não foi necessário o reconhecimento dos restos mortais pelos familiares da vítima.

Paulo Peixoto, perito do DPT, afirma que exames complementares irão informar qual foi a causa da morte e outros detalhes sobre o crime. Contudo, ele acrescenta que nenhum exame constatou o uso de arma de fogo.

"Não é que não dê para dizer qual é a causa da morte. Todos sabem que ele foi decapitado. Mas nós estamos levantando os exames para saber se ele foi decapitado antes ou depois da carbonização. Em todos os exames de radiologia que foram feitos no corpo, na cabeça e nas mãos, não se levantou nenhuma hipótese de projétil de arma de fogo", relata.

Peixoto conta também que ainda não é possível confirmar que as tatuagens foram retiradas do corpo do rapaz para dificultar a identificação da polícia. "Não sei qual a intencionalidade, mas sugere-se que foi para isso". "Os órgãos genitais também foram retirados com instrumento cortante", acrescenta.

Diante do estado do corpo, Peixoto afirma que não era possível que a família da vítima reconhecesse os restos mortais. Na sexta-feira (15), Jurandy Silva de Santana, pai do rapaz, foi até o IML, mas não identificou o corpo como sendo do filho. "Não tem tatuagem, o rosto do meu filho é pequeno e o que me mostraram é grande", disse na ocasião.

Veja no vídeo o momento da abordagem

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