22 de jan de 2019

Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de PM do Rio suspeito de comandar milícia

Redação Portal Cleriston Silva PCS

O senador eleito Flávio Bolsonaro empregou até novembro do ano passado, em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), a mãe e a mulher do capitão Adriano Magalhães da Nóbrega, 42, suspeito de comandar milícia no Rio de Janeiro. Informações foram divulgadas em reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira (22).

Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega deixaram o gabinete no mesmo dia, em 14 de novembro, a pedido. Elas ocupavam o cargo CCDAL-5 e ganhavam R$ 6.490,35. Raimunda é um dos ex-servidores de Flávio Bolsonaro citados em relatório do Coaf que identificou movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. Ela repassou R$ 4.600 para a conta do ex-policial militar.

À época da revelação do relatório, em dezembro do ano passado, a reportagem procurou a ex-assessora em endereços relacionados ao seu nome, sem sucesso. Em nota, a assessoria do senador eleito disse que Raimunda foi contratada por indicação de Queiroz, que supervisionava o seu trabalho, e que não pode ser responsabilizado por atos que desconhece.

Flávio Bolsonaro homenageou Adriano duas vezes na Alerj. Em 2003, propôs uma moção de louvor ao policial militar por desenvolver sua função com "dedicação, brilhantismo e galhardia". "Imbuído de espírito comunitário, o que sempre pautou sua vida profissional, atua no cumprimento do seu dever de policial militar no atendimento ao cidadão", escreveu.

Em 2005, o filho do presidente Jair Bolsonaro concedeu ao policial a Medalha Tiradentes. Na justificativa, entre outras razões, o então deputado estadual escreveu que Adriano teve êxito ao prender 12 "marginais" no morro da Coroa, no centro, além de apreender diversos armamentos e noventa trouxinhas de maconha.

Flávio Bolsonaro também apresentou moção de louvor a outro policial militar alvo da operação desta terça. O capitão Ronald Paulo Alves Pereira, segundo o senador eleito, mereceu a homenagem por ter participado de operação no Complexo da Maré, em 2004, na qual morreram três "marginais da Lei".

Na nota divulgada à imprensa, o senador eleito disse que sempre atuou na defesa de agentes da segurança pública e que já concedeu "centenas de outras homenagens".

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