8 de set de 2017

Ex-ministro Geddel Vieira Lima volta para a prisão em regime fechado após apreensão de R$ 51 milhões

Redação Portal Cleriston Silva PCS

Detido em prisão domiciliar desde julho, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado), em regime fechado, na manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender R$ 51 milhões em um imóvel supostamente utilizado pelo peemedebista.

O ex-ministro da articulação política do governo Michel Temer será transferido de Salvador para Brasília ainda nesta sexta. Ele deve desembarcar na capital federal por volta das 15h.

Além de Geddel, a Polícia Federal também prendeu preventivamente na manhã desta sexta o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz, que, segundo as investigações, é ligado ao ex-ministro. Após a prisão ter sido noticiada, a prefeitura da capital baiana demitiu Ferraz.

As prisões foram determinadas pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal. Amigo pessoal do presidente Temer, Geddel ocupou a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica do banco público no governo Dilma Rousseff, indicado pelo PMDB.

O pedido de prisão cumprido nesta sexta-feira foi apresentado pela PF e, posteriormente, acabou endossado pelo Ministério Público Federal (MPF), com base na apreensão de R$ 51 milhões, na última terça-feira (5), em um apartamento que havia sido emprestado a Geddel por Silvio Silveira, um amigo do ex-ministro.

Na decisão que autorizou a nova fase da Operação Cui Bono, o juiz de Brasília afirmou que a Polícia Federal identificou impressões digitais de Geddel e de Gustavo Ferraz nos sacos que envolviam as cédulas de dinheiro encontrados no apartamento do amigo do peemedebista, que fica localizado a cerca de 1 quilômetro da residência do ex-ministro.

Vallisney de Souza Oliveira relatou em seu despacho que, segundo a PF, há "fortes indícios" de que os R$ 51 milhões apreendidos na última terça pertencem realmente a Geddel, uma vez que, no local, foi encontrada uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, funcionária do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro.

O argumento usado pelos investigadores para solicitar que Geddel Vieira Lima retornasse para a cadeia é o eventual risco de "destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos". Além disso, a PF identificou risco de fuga depois da divulgação da apreensão do dinheiro.

A assessoria do MPF informou ainda que a nova fase da Cui Bono busca apreender provas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

"No momento, são fortes os indícios do delito de lavagem de capitais, tudo apontando ao fato de que o requerido [Geddel] não cumpriu a decisão (de prisão domiciliar) na sua integralidade (em paralelo e desde antes de sua prisão), e de que esteja reiterando na conduta criminosa, sendo a hipótese de decretação de sua prisão preventiva, a fim de que seja sustada a continuidade delitiva", escreveu o juiz de Brasília no mandado de prisão.

Em nota, o advogado Gamil Föppel, responsável pela defesa de Geddel, afirmou que só vai se manifestar "quando, finalmente, lhe for franqueado acesso aos autos, especialmente aos documentos que são mencionados no decreto prisional".

"Pesa dizer que o direito de defesa e, especialmente, as prerrogativas da advocacia, conferidas por lei, sejam tão reiteradamente desrespeitadas, impedindo-se o acesso a elementos de prova, já documentados nos autos", escreveu o defensor no comunicado.

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Polícia Federal chegou ao prédio de Geddel por volta das 5h50 desta sexta-feira

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