16 de jul de 2017

Líder quilombola é morto a tiros em Antônio Gonçalves

Redação Portal Cleriston Silva PCS

O presidente da Associação de Trabalhadores Rurais da comunidade quilombola Jiboia, José Raimundo Mota de Souza Junior, foi assassinado a tiros enquanto trabalhava no campo ao lado do irmão e sobrinhos. A Polícia Civil informou que o crime aconteceu no município de Antônio Gonçalves, a 260 km de Serrinha, na quinta-feira (13). A autoria e motivação ainda são desconhecidas.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra Centro Norte/Diocese de Bonfim, a qual a vítima integrava, familiares contaram que os autores do crime aproximaram do local onde a vítima trabalhava, em um carro, e atiraram contra ela.

De acordo com a comissão, José Raimundo integrava a coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores na Bahia, participou do Curso de Formação Liderar e de Juristas Leigos, além de participar de ações que pediam pela regularização do território quilombola da comunidade dele.

A Superintendência Regional do Incra na Bahia lamentou o crime ocorrido e se solidarizou com a família de José Raimundo, além das 224 famílias que vivem no Território Quilombola Jiboia.

A ouvidoria Agrária Regional do Incra/BA enviou um ofício à Polícia Civil, na sexta-feira (14), solicitando informações sobre o crime, e vai relatar o ocorrido à Delegacia Agrária do estado.

De acordo com a superintendência, o território quilombola Jiboia possui o Relatório Técnico de Identidade e Delimitação (RTID) publicado. O RTID integra o processo de regularização fundiária da comunidade. O Incra/BA já notificou os proprietários dos imóveis rurais inseridos no perímetro.

A Associação de Advogados deTrabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR) publicou uma nota de pesar. “Estendemos a nossa solidariedade à comunidade remanescente de quilombo Jibóia, da qual Júnior era liderança, e ao Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), pela perda inestimável de um grande companheiro e militante social. Júnior estava cuidando da sua roça no momento em que os executores chegaram em um veículo preto e dispararam diversas vezes – um roteiro típico de execução e crime de mando”, diz trecho da publicação.

A AATR pede investigação rigorosa do Estado. "Exigimos do estado, neste sentido, uma apuração rigorosa dos fatos, com a identificação e responsabilização de mandantes e executores deste crime bárbaro. Resistiremos e continuaremos a lutar pela demarcação dos territórios e fim dos latifúndios".

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